Equipamento fotográfico


Fotografia feita com celular SonyEricsson W810i. © Michel Téo Sin

Alguém já escutou a seguinte frase: “Ah, também com essa câmera, até eu faço foto boa”

Essa cultura de que uma boa foto é diretamente relacionada com o equipamento usado existe desde que a fotografia surgiu e é muito mais forte atualmente com a popularização da fotografia digital e da tecnologia.

Uma câmera fotográfica, lentes e luzes são instrumentos para o fotógrafo como um forno, uma panela e faca são para um cozinheiro/chef. O que adianta a melhor (melhor é sempre relativo) panela, faca e o melhor forno se uma pessoa quer fazer uma receita mas não tem domínio nem conhecimento para fazê-lo. A mesma analogia aplica-se na fotografia, porém muitas pessoas acreditam que para fotografar bem, é só adquirir um equipamento avançado/caro/novo.

O mais importante é o conhecimento da técnica fotográfica, que permite ao fotógrafo conhecer as suas necessidades, as restrições e possibilidades dos equipamentos disponíveis e assim adaptar-se às suas ferramentas e tentar extrair o máximo delas, como também o inverso, do fotógrafo saber quais equipamentos adaptam-se melhor à sua linguagem/estilo/modo de fotografar.

Fotografar comida

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fotografia: Michel Téo Sin / food styling: Heiko Grabolle

Antes de iniciar um trabalho de fotografia de gastronomia, o fotógrafo deve conversar com o cliente e o food stylist e ter em mente pelo menos as seguintes informações para nortear o trabalho:

- A idéia/situação que a fotografia deve transmitir. Ex. refrescância, calor, salgado, doce, almoço, jantar, etc
- O produto/elemento principal e a finalidade da imagem. Ex. embalagem, editorial, publicidade, etc
- A característica mais marcante da comida. Ex. crocância, suculência, mistura de texturas, delicadeza, etc
- A(s) parte(s) do prato que merece mais destaque. Ex. recheio, cobertura, textura, etc

Estas informações ajudam o fotógrafo a definir a linguagem fotográfica da imagem, isto quer dizer, por exemplo, decidir se a luz é difusa ou direta, se toda a imagem estará em definição ou o foco será apenas em um lugar, se a composição é horizontal ou vertical, se a ambientação é simples ou cheia de ornamentos, entre outras coisas.

O trio fotógrafo-food stylist-cliente devem estar bem sintonizados para alcançar um trabalho eficaz.

Criar água na boca


fotografia: Michel Téo Sin / food styling: Heiko Grabolle

Trabalho como chefe de cozinha há 16 anos. A grande lição que aprendí foi que o trabalho na cozinha é duro. Trabalha-se enquanto as outras pessoas estão no seu tempo livre e é muito comum fazer algumas horas extras, além do stress, que pode chegar num nível bem alto. Mas no final, a missão do chef é a mesma: Fazer uma boa e saborosa comida, isto é, servir um prato quente ou frio no seu melhor tempo, cuidar do sabor e texturas, do tempo de cocção, da apresentação, etc. Tudo isso para o nosso cliente dizer: “hummmmm, que gostoso!”.

Agora, quando trabalho para uma fotografia, é aí que complica. A história é quase a mesma: Servir um prato quente ou frio no seu melhor tempo, cuidar do sabor e texturas, do tempo de cocção, da apresentação, etc. Porém no final, o objetivo é que o cliente diga: “hummmm, quero comprar!”.

Para isto acontecer, os métodos de preparação e finalização podem mudar muito em relação à preparação de um prato real. O sabor não interessa mais, mas sim as texturas, suculência e apresentação, para que o observador veja a imagem e fique com água na boca.

O que é food styling?

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fotografia: Michel Téo Sin / food styling: Heiko Grabolle

Food styling é a arte de tornar um alimento visualmente atraente com o fim de se gerar uma imagem fotográfica ou uma cena de vídeo do mesmo. É preciso transmitir da melhor forma, por meio de uma imagem, o seu sabor e textura.

O profissional desta área é o food stylist, também chamado como produtor de culinária ou estilista de alimentos. Ele é um profissional que conhece e reconhece as características do alimento, as valoriza e também prepara a montagem e decoração de cada prato. Para trabalhar como food stylist é necessário ter uma boa formação na culinária.

O trabalho do food stylist pode ser encontrado em fotografias e vídeos de publicidade, em embalagens, folhetos, matérias de revistas, livros, menus para bares e restaurantes, etc.

Um chef e um fotógrafo

© Michel Téo Sin / Heiko Grabolle © Michel Téo Sin / Heiko Grabolle
fotografia: Michel Téo Sin / food styling: Heiko Grabolle

Imagine um chefe de cozinha alemão que conhece uma dúzia de países, já trabalhou por seis meses em um navio navegando por meio mundo e escolheu a ilha de Florianópolis, no sul do Brasil, para viver por causa da tranquilidade, mas é uma pessoa hiperativa com muitas idéias na mente e que de alemão só sobrou o sotaque.

Imagine também, um jovem fotógrafo descendente de coreanos que fugiram da guerra, na qual metade da sua família vive no Brasil, e a outra metade nos EUA. A sua experiência pessoal é formada por uma mistura de culturas, a sua mente também é hiperativa e cheia de idéias e o seu coração é brasileiro, apesar de fisicamente não parecer um.

Estes são Heiko Grabolle e Michel Téo Sin. Eles se conheceram num trabalho fotográfico e o introsamento foi tão natural que rendeu uma parceria. Parceria, esta, que é alimentada pela diversidade de experiência e conhecimento de cada um.

A idéia do blog é justamente em compartilhar um pouco do conhecimento de cada um. O Heiko postará informações, novidades e dicas relacionadas ao food styling e o Michel a fotografia de gastronomia.

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